lioz
A casa era enorme e continha aquela estranha presença recorrente nos sonhos. As paredes altas de tabique, arredondavam como uma onda junto ao tecto onde pendiam lustres de teias. Pássaros e ramos floridos em relevo, decoravam os frisos no quarto verde. A presença fazia com que as cabeças dos pássaros se voltassem para me observarem, mas não havia maldade. A cama era de pinho artesanal, com torneados na cabeceira e demasiado alta e comprida para uma pessoa normal. Por baixo, vários gavetões em camadas, acomodavam bancos baratos do chinês. A casa de banho tinha portas de correr translúcidas, inspiradas num shoji, com uma estrutura de madeira escura e heras mortas entravam pela claraboia. Um espelho antigo a toda a largura do lavatório não guardava reflexo. Mas as pedras eram bonitas, lioz com bivalves extintos.

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