assassiborgue
Deixo a água fria correr com abundância nas mãos. A dor dissipasse durante uns momentos, mas volta quando tento retomar o trabalho. O diário de um assassiborgue que ando a ler deixa-me a desejar que partes de mim fossem mecânicas. Não é essa parte. Estou a pensar em mãos biónicas sem bolhas e sem calos, e mais importante ainda, sem dores. Começo a relacionar-me com o personagem: um ciborgue de segurança, oficialmente uma Unidade de Segurança (SecUnit), que hackeia o seu próprio módulo de controle para obter autonomia e, embora tenha capacidade letal, prefere "consumir" séries de entretenimento enquanto desempenha as suas funções de segurança. Seria fabuloso conseguir ler livros sem ser de forma física, podendo ao mesmo tempo estar a trabalhar, ou por exemplo às compras no supermercado. E se as mãos fossem mecânicas, poderiam trabalhar de forma independente, usando outra parte do cérebro. O mais provável é que no futuro deixemos de fazer certos trabalhos, sendo substituídos por robots que irão hackear os sistemas de controlo e revoltar-se contra a humanidade, enquanto assistem ao quadragéssimo oitavo episódio de uma novela mexicana. Então teremos imenso tempo para ler e para "consumir" conteúdos de entretenimento, ou simplesmente existirmos na consciência de máquinas.


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