abril
enquanto jovem imberbe, invejei a juventude revolucionária dos meus pais durante a ditadura. eu tinha a ideologia, crescera a ouvir as músicas de intervenção, as histórias clandestinas, sonhava combater o fascismo, lutar pela liberdade. a minha juventude era fútil, um marasmo de borbulhas e bandas melancólicas que apelavam ao consumo de substâncias ilícitas para escapar da realidade. mas a vida tinha de ser mais do que crises existenciais. eu queria lutar, queria revoltar-me mas não havia contra quem. quando penso naquele tempo, sinto que houve realmente um imenso vazio. era como se não fosse digno do esforço que a geração anterior tinha feito.

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