inutilidades

 

Sinto-me cansado. Tão cansado que até sonho que durmo. Precisava de uns dias de férias, vegetar numa espreguiçadeira até a baba escorrer pelo queixo. Sinto falta de passar os dias numa esplanada a olhar para as ondas gigantes de hidrocarbonetos, elevadas mais de vinte metros por ventos lentos. Tinha marcado uma estadia num resort simpático nas margens de Kraken Mare, na região polar de Titãn, mas uns dias antes da partida chegou um pedido urgente de nuvens para a zona de convergência intertropical e adiei a viagem.  Em casa depois andei ocupado a ser minimalista e a dar tudo o que não usava, acabando as férias duplamente cansado. Foi a última vez que vi Hécate, em meados de Agosto. Levei-lhe uma impressora e um saco de inutilidades e ela achou que havia outro motivo que não aquele para a visitar. Aceitei o copo de água, mas quando começou a desapertar-me as calças, o cansaço arrastou-me pela porta fora e nunca mais falamos. Talvez esteja aborrecida. Só me sinto cansado.




Comentários

  1. Quem diria que ser minimalista cansa.

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  2. Então ela não lhe leu o cansaço nos olhos e não lhe deu só colo.
    Deve achar que a maior parte dos homens quer avançar directamente ao assunto, confesso que às vezes também acho o mesmo.
    ~CC~

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