cenoura

 Cinco minutos, no máximo seis, foi o tempo que levei a pegar em duas cenouras, duas bananas, um saco de maçãs e um iogurte. Ainda deitei um olho nas bolachas que gosto, mas como não estavam em promoção ficaram no mesmo sítio. Cinco ou seis minutos apenas, sem carrinho de compras ou cesto, só aquilo que era fundamental. Nem perdi tempo a ensacar as bananas ou as cenouras, escolhi o iogurte mais económico na secção das promoções e fui para a caixa. 

Não sei se já disse isto antes, mas eu odeio supermercados. Não consigo encontrar local onde goste menos de estar durante o meu dia. Até mesmo quando estou no transporte público ou na paragem à espera do mesmo, é mais prazeroso que em qualquer supermercado. A minha aversão é tão grande que estive quase para casar com uma democrata cristã da ala conservadora, porque ela se comprometia a ir todas as vezes às compras sempre que fosse necessário, isentando-me desse suplício para o resto da vida. É claro que não aconteceu e por isso de vez em quando lá tenho de ir.

Mas voltando à caixa, outra parte do supermercado tão excruciante ou mais que tudo o resto, ai sim, terei passado cerca de oito, talvez mesmo dez minutos, enquanto o empregado passava pelo sensor os mais de cem artigos que enchiam o tapete. Depois ainda esperamos que a senhora arrumasse as compras, sem grande ajuda do funcionário que se calhar recebe indicações para não o fazer. Lá paga tudo, uma soma elevada e vai à vida dela. Chega a minha vez, duas cenouras, duas bananas, um saco de maçãs e um iogurte dos mais baratos. Nem fez peso no tapete. Já tinha a mochila aberta para atirar tudo lá para dentro e o dinheiro na mão, pronto para abandonar de forma rápida e eficiente aquele local demoníaco, quando o funcionário pede para ver o conteúdo da minha mochila. Ao princípio não entendi. Não quero saco, respondi. Mas ele repetiu e da segunda já entendi. Nunca tal me tinha acontecido, pelo menos num supermercado. Lá abri a mochila e ele espreitou, ficando a saber que eu tinha uma marmita do ikea e um livro de duzentas e vinte e cinco páginas. 

Saí ainda mais irritado do que o normal, não sei se pela vergonha de acharem que estava a roubar alguma coisa, ou se por me desconsiderarem como ladrão de alto gabarito que fui em tempos. Nunca se rouba para dentro da mochila, isso é só estúpido, principalmente com bolsos tão grandes como os meus. Amanhã vou lá voltar e roubar uma cenoura, só pelo prazer de o fazer. 



Comentários

  1. .Existem casos assim. Se fosse de uma certa etnia - nada contra a mesma - não lhe pediam para abrir - é legal - a mochila. Coisas e cenas...
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    Cumprimentos poéticos
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    Pensamentos e Devaneios Poéticos
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  2. Manel, ao tempo, fiquei feliz da vida pelo casamento com a tal democrata cristã da ala conservadora, se ter gorado, mas, agora começo a ficar com pena pela coisa não ter ido avante... Só para não passares pelo tormento das compras no super.
    Sim, porque lá o facto de te pedirem para abrir a mochila, acontece a quem vai fazer compras e não traz compras que se vejam. ...Isso é altamente suspeito, sabias?
    Quando lá voltares rouba uma lagosta a sério... viva, e mete-a no bolso das calças... 😀

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    1. ehehehehheheheh, muito bom :)
      nã sou muito fã de lagosta, só se for destas de pobre
      entendo a cena do parecer suspeito, vou tentar programar melhor as minhas idas e trazer tudo o que preciso de uma só vez :) obrigado pela dica
      bom fim de semana, beijos

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  3. Aconteceu-me muito desconfiarem de que estava a assaltar o super-mercado perto do trabalho (quando tinha trabalho) .
    Nem sempre ia de casa para o trabalho e tinha pausa para refeição das 17h00 às 18h00 pelo que nem sempre tinha oportunidade de levar lancheira ou vontade de comer uma refeição completa. Quando pegava em uma ou duas peças de fruta, especialmente bananas, o segurança começava a perseguir-me e seguia-me até confirmar que pousava as ditas no tapete da caixa. Os seguranças foram rodando na perseguição e começaram a reparar q não tencionava roubar as bananas, que sou do género incapaz de sequer debicar um bago de uva e deixaram de me perseguir.
    O segurança do trabalho explicou-me que as bananas são dos itens mais roubados do supermercado e os seguranças desconfiam sempre dos 'indivíduos' que pegam numa ou duas sem saco. Aparentemente o mundo está cheio desses indivíduos malfeitores que roubam para comer, bandidos!

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    1. é só bastante idiota perseguir pessoas por acharem que vão roubar bananas, ainda por cima nã são das coisas mais caras... e se as roubam, nã será certamente para abrirem uma multinacional de bananas... é engraçado que ninguém pediria a um político ou dirigente do futebol ou até mesmo um jogador bem vestido, para mostrar a mochila... mas esses só roubam milhões... qual o interesse :)

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  4. Que gira a imagem....uma lagosta quase ao alcance de qualquer um.
    Se me fizessem isso, não voltava mais lá, detesto essas desconfianças...mesmo que levasse umas coisinhas, que diferença é que isso lhes faria.... e tem razão, basta ter uma gravata ou uns saltos agulha e já não perguntam nada, estereótipos que continuam a dominar...já vi um segurança seguir uma família cigana em todo o seu percurso no supermercado. Por essas e por outras é que pratico cada mais a ida aos mercados e às lojas de bairro, supermercado só 1x mês.
    ~CC~

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    1. infelizmente este fica aqui mesmo pertinho e nã tenho muitas outras opções :(
      se calhar nã é motivo para ter ficado assim tão arreliado, mas só aumentou o meu descontentamento por este tipo de sítios

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