Darth


A semana tinha sido tão preenchida que o homem ponderou adquirir uma agenda ou então baixar uma aplicação para se organizar. Sábado, terça, quinta e sexta jantou fora. Turco, taiwanês, italiano, mexicano. Cinema, aniversário, despedida, futebol. Americano, iraniano, alemã, polaco. No sábado seguinte, sentado diante da janela onde olhava um dia em branco, contabilizava metade do sono roubado, uma azia raivosa e as costas feitas num oito. É preciso viver para escrever, mas as linhas continuavam imaculadas à sua frente, de um azul esbatido, tensas de uma extremidade à outra. Agitou os momentos, tentou dissolve-los, extrair dos dias um fragmento qualquer, frases traduzidas, conversas trocadas, piadas atiradas como flechas, mas a ideia do fim não lhe abandonava os pensamentos. Estes são os últimos dias, dizia na sua voz interior que soa como o Darth Vader (versão James Earl Jones). Melhor será escrever sobre a pega.



Comentários

  1. Às vezes também quero agitar os momentos, mas eles não se deixam sequer agarrar.

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  2. Essa da pega pagar o pato, não está certo, afilhado.
    Depois, na pega, só pega quem quer, o que tira o direito a reclamação.
    Vive-se bem por aí heim! só jantarinhos fora de casa, tá bem tá.

    Abracinho, afilhado mailindo

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    1. nã me queixo, levo uma boa vida :) e é melhor aproveitar enquanto dura
      beijos madrinha do coração

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  3. Para escrever não é só preciso viver, Manel...há que reinventar a vida...

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