sábado, 19 de agosto de 2017

koszmar

... ou a fábrica de pesadelos

a mulher que cheirava a bolo de laranja e biscoitos de manteiga, atravessou a rua em modo automático vinda do talho, direccionando o carrinho das compras para a última paragem daquela manhã: a frutaria. assim que dobrou a esquina, com o carro a rolar atrás de si bem pesado, percebeu que a compra de limões e pêssegos teria de ficar para outro dia. a culpa era do carregamento de figos negros que o moço empilhava à porta do estabelecimento, atraindo fregueses como moscas gigantes que se acotovelavam e aos safanões, enchiam sacos quase atirando os cestos ao chão. atravessou para o outro passeio, evitando a confusão assassina e o piso escorregadio de fruta esmagada. talvez fosse a primeira vez que atravessava a rua naquele sítio, fora da passadeira, sem rampa para o carrinho. reparou que aquele passeio era mais sombrio, mas também mais largo, bem nivelado e livre dos obstáculos que normalmente os comerciantes colocavam no exterior de forma a chamarem os clientes. já esquecida dos limões e dos pêssegos do Paraguai que os miúdos gostavam, o carrinho das compras corria veloz atrás de si, sem rodas a lamentarem-se ou quebras no cimento para contornar, quando travou de repente mesmo em frente de um estranho edifício.  



29 comentários:

  1. Se o edifício era a tal fábrica de pesadelos, o inventor vai enriquecer em pouco tempo, podes crer.
    O mundo anda demasiado calmo e insosso, precisa de uns pesadelos para ficar animado. ;)
    As crianças não choram com medo do coelho, não, elas sabem quem é...Choram com a cara de mau que o
    fotógrafo fez...
    Beijos, Manel. Parabéns pela escolha da foto. :)

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    1. PS- Seria giro dares continuidade à história.

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    2. espero dar sim, e com outras fotos espectaculares... mas sem promessas :)

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    3. Tempestades?
      ...
      E, raios?
      ...
      E, coriscos?

      Manel, e Chuva!?...já nã há mau-tempo? manda vir! :)

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    4. já nã é comigo... peçam ao Sr. Pedro :)

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  2. Olha, podia começar aqui a dissertar, mas tenho que ir passear o cão, estou com calor e não me apetece dissecar o texto. Tenho o bisturi pouco afiado e a marquesa por higienizar.
    O que eu quero mesmo, mesmo, é saber onde posso ir comprar esses figos negros e melados. Adoro enfiar-lhes o dente na polpa gelada...um pecado orgásmico para as minhas excelsas papilas gustativas, que também merecem.

    Olá rapaz!! Há quanto tempo...

    Toma lá um sorriso da cor do Sol!

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  3. Então, Manel...foste a banhos?
    Não fiques muito tempo de molho que encarquilhas todo.
    Anda lá para a nossa beira!
    Já sinto saudades tuas...

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    1. este ano nã banhei... também sinto a tua falta :)

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    2. Sentiste a minha falta, Manel?
      Mas...eu não fiz mais nada senão andar a correr para aqui! :)
      Nem caibo em mim de contente!!! :)))

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  4. Não me digas que vai encontrar o homem do fato com o nome completo bordado no interior do casaco!

    Beijocas, Stormy boy :)

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  5. Criaste outro blogue, Manel? Adoeceste de mal de amores?
    Cansaste-te disto dos blogues? Foste viajar?
    Desejo muito que estejas bem!!

    Beijinhos

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  6. Stormy é chamado à recepção, já!
    de boa saúde, half depressed/horrivelmente feliz/como entenda.

    já.

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  7. Manel...Maneeeeeel!...

    Sabes que dia é hoje?? Sabes quem faz anos?
    Aparece! Vai lá dar os parabéns à Ana...sff.

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  8. Perdeste-te no supermercado?
    tenho que te ir buscar ao corredor das bebidas?
    hum?
    hum?

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