quinta-feira, 30 de março de 2017

niewidzialny

Senti-me soalho gasto agarrado aos teus pés, desejando que não partisses. Onde vais? Espera. Depois fui porta querendo ser obstáculo no teu caminho, e depois da porta de caixilharia em alumínio que atravessaste sem bater, fui escada, corredor, passeio. Fui sombra, gotas de água, perdi o nome quando fui vidro e estilhaçado, dividido em infinitos pedaços, fui no teu enlace, na saliência da tua sola, até perder-me, até ser nada. Fui ar, odor agarrado ao teu pescoço, som de passos, fui até deixar de ver. Voltei sozinho. Menos que uma migalha, cego, sem reflexo ou imagem, um espectro de ausência. Eu não existo quando não estás comigo.




25 comentários:

  1. O pior é que acredito que sintas como escreves. Já sabes que me apetece bater-te.
    (grande imagem, trovisco)

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    1. se fosse clara, com tanto bater, já era castelo...

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  2. Afilhado meu, mailindo quinté, nunca, até hoje, tinha lido algo tão pungente, ao ponto de ficar comovida e entristecida. Anda daí Manel, andar ver o mar...

    Abreijinhos daqui até aí

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    1. aqui também há mar... mas nã é tão bonito :)
      beijos madrinha

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  3. eu também tenho medo de perder quem gosto e deixar de existir. é horrível a sensação,
    força para quem sente assim,
    anonima

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    1. nã posso perder o que nã tenho... mas queria ter :)

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  4. Manel, gostava de ter inventado um chá que fosse um filtro para todos os males de amor. Gostava de saber contar anedotas que te fizessem rir. Gostava de conhecer palavras sábias que te ajudassem a perspetivar o que sentes. Mas não sei. Sei apenas de duas coisas que te ajudarão a curar essa dor: os amigos e o tempo.

    Talvez sofrer dessa maneira seja uma forma de prolongar a paixão, de insistires em continuar apaixonado. Mas não te esqueças que tu já existias antes de ela ter aparecido na tua vida. Eu não me esqueço.

    Um beijinho :)

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    1. ainda há esperanças Miss Smile, mesmo pra mim :)
      beijos

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  5. Manel desculpa a minha frontalidade mas não tens jeitinho nenhum para desistir! :)
    ...até triste escreves tão bonito.
    Um beijinho. :)

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    1. na verdade nã tenho jeitinho pra nada... é uma desgraça conjunta :)
      beijos

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  6. M M-T agora fui eu que fiquei embasbacada de tão mas tão bonito...

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  7. Não te deixes abater assim. Embora a coisa resulte lindamente na escrita, está visto. :)

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  8. Este texto toca-nos a alma até ao lugar mais recôndito, Manel.

    Escreve dor, escreve alegria, escreve tudo o que te vier à mente a saia do coração ou da imaginação, tanto faz. Escreve verdades, mentiras, ou meias verdades...não deixes é que ninguém iniba e restrinja a tua liberdade criativa.
    Muito bom, ciganito. :) Força!!

    Um beijo.

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    1. é tudo mentiras... invenções e criações de uma mente aborrecida :)
      beijos Janita

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  9. E depois vens dizer que eu "exagero bué". Seja lá onde for que a tua dor te leve, posso garantir que passa e quando te vires aparecer, serás ainda maior. Um abraço

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    1. lá estás tu a exagerar bué :) vamos ver no que isto dá, ainda há esperança... abraço, Be.

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  10. A tristeza aguça-te as palavras Manel, mas agora que nos mandaste o sol não fiques assim, junta-te a nós e rejubila de alegria vá. Beijoca

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  11. Invisível!
    Ai as coisas que eu aprendo contigo.

    O que eu não aprendi contigo porque há muito tempo já sei, é que a sensação de sermos invisíveis é terrível, é sinónimo de indiferença.

    Bonito texto!

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  12. Caraças, Manel, tu escreves para lá de bem.
    Pena não encontrares alguém que te leve a escrever da mesma forma mas com conteúdos que apertem menos o meu coração. Porque, paradoxo parvo, não gosto de te ler assim. É que alguém que escreve como tu escreves só merece ser feliz, com alguém igualmente feliz à sua beira.

    Um beijo. :)

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