sábado, 18 de fevereiro de 2017

ngultrum

A mulher de olhos rasgados que me pegara na mão para a ler, tinha razão. Mas tudo o que nela estava escrito já era do meu conhecimento. Não é comum, mas algumas pessoas nascem mortas e perdidas, disse com um sorriso amistoso. O sinal mudou e atravessei sem correr por entre a chuva. Podia ser segunda-feira todos os dias, nem me importava, mas o efeito durava apenas um momento, e depois tudo voltava ao mesmo. Na terça as nuvens alinharam-se como um comboio rápido, na quarta as artérias ficaram vazias, e depois na quinta-feira beijou-me a testa na despedida. Pedaços de cal caiam-lhe do peito, enquanto a imagem dela oscilava no precipício do esquecimento. Por fim veio sexta e apesar de ter anotado a morada, a tinta entranhara-se e as campas eram todas idênticas. 





4 comentários:

  1. O som belíssimo desta melodia e a interpretação divina do saxofonista,
    pode levar-te a um estado letárgico, sim, mas morto não estás, não, Manel! Livra!!
    A mulher dos olhos rasgados devia ser chinesa e, essas, não sabem ler as mãos...

    Beijos, Manel.
    Adorei a música e também fiquei in a sentimental mood

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    1. nã queria contaminar-te com o sentimental mood, mas talvez seja impossível :)
      beijos, Janita

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  2. Segunda feira todos os dias...matavas-me...

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