segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

voragem

Sinto falta dos remoinhos de dedos que ao adormecer soltavas na minha cabeça. 
E dos teus pés mergulhados no fundo da cama, numa emboscada branca esperando os meus.
Pés de morta. Quando o resto do teu corpo era um motim. Ferro em brasas a marcar-me.
Privas-me da tua presença, do teu habitar pequeno nos meus dias.
Morres pelos pés. Queria dizer-te. E em vez disso apaguei um terço das tuas palavras com espaços.
Uma chávena fica para lavar mais tarde com restos de café. Tudo voltou à unidade.
O que faço a estas marcas que deixaste?
Podias ao menos cortar-me.



20 comentários:

  1. Ai polvinho, estás cozido e mal pago

    Beijinho de madrinha

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    1. ninguém resiste a polvo cozido :)
      beijos madrinha

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  2. Tão poético, Manel.
    Tão bonito (mesmo notando uma nota de tristeza que aprofunda a beleza do que escreveste, como só a tristeza sabe fazer).


    (gosto da tua nova casa)

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    1. obrigado Carla, nã é o meu forte, mas estava a acumular :)
      beijos

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  3. Blue velvet?
    Gostei!

    Beijo afilhado mailindo quinté

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    1. pensei que era azul nocturno...
      ainda bem que gostaste, estava a precisar de contraste, o branco realçava o lixo do meu ecrã :)

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  4. Toma lá um haiku do Bashô:
    "Alguém parte
    e a solidão e o vento
    seguem logo atrás"

    Agora vou começar a comunicar através de haikus do Bashô!

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    1. tens noção que vai pegar moda! E daqui a nada estamos todos a falar por haikus...

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  5. As marcas vão-se apagando e dão lugar a boas recordações. Lindo

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  6. É fazer lugar para novas marcas.
    :)
    [Gosto do azul]

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  7. Ah, os remoinhos... são tramados de esquecer!

    Belo visual! :))

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