sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

ilusões


O homem que tinha conservas de ilusões concentradas deitou-se contra as almofadas da cama, com as mãos por baixo da cabeça, insuflando os músculos do peito e bíceps, e em simultâneo encolheu a barriga para dentro. O seu tronco despido fazia um t perfeito, e esperou que ela voltasse, sustendo o ar na posição de um verdadeiro alfa. A mulher entrou no quarto e nem a cabeça voltou para o ver. Encontrou os sapatos junto à cama e sentada na beira, calçou-se. -Já vais? Perguntou o homem que tinha meio quilo de ilusões diluídas no bolso. -Tenho de ir, amanhã acordo cedo. Disse a mulher sem se distrair do seu objectivo. -Bebe mais um chá, disse o homem que tinha gavetas cheias de chá e algumas infusões de ilusões, levantando-se de um pulo, aproximando o tronco do espaço visual da mulher. -Não, obrigada, declinou a mulher de casaco já vestido, tenho mesmo de ir. -Acompanho-te lá em baixo, a porta pode estar fechada. Quis o homem que tinha gavetas vazias, bolsos rasgados, uma cova no peito. -Não é preciso, deixa-te estar, tenho a chave. Disse a mulher em fuga. 



9 comentários:

  1. Podemos ir assaltar cruzeiros de velhinhos nórdicos...

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  2. Ainda tem a chave?????

    Madrinha desiludida :=(

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  3. tens razão, cabo eléctrico isolado...
    a imagem pareceu-me um olho. só agora é que vi que não...
    bom dia Hury :)

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  4. É melhor abrir outra lata de conserva...

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  5. Posso sempre enviar uma caixinha de costura para remendares os bolsos (e sempre ocupa espaço numa das gavetas :).

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