sexta-feira, 5 de agosto de 2016

zebu

As cadeiras do exterior estavam molhadas da chuva, mesmo assim a mulher que queria ver o céu sentou-se. O homem que atravessara a cidade a seu lado entrou e pediu duas cervejas. Quando se sentou na cadeira molhada em frente da mulher que queria ver o céu, ela falava com o outro ao telemóvel. Ele não entendia o que diziam, mas sabia que era o outro pelo sorriso que ela não escondia. O homem que atravessara a cidade ao lado da mulher que queria ver o céu permaneceu em silêncio enquanto o ciúme lhe corroía as artérias. Concentrou-se numa janela aberta do outro lado da rua, de cortinas estáticas de um branco limpo e desejou ser vento. Quando a mulher que queria ver o céu desligou, o homem que desejara ser vento ainda lá estava, desenhando circunferências geladas no tampo da mesa.




28 comentários:

  1. o homem que desejara ser vento deveria ter-se levantado ao primeiro sorriso dela durante a conversa telefónica e ter seguido pela rua mais à mão de desenhar... :)

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    1. o homem que desejara ser vento tinha as calças molhadas no rabo e uma cerveja fresca à sua frente...

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    2. o homem que desejara ser vento poderia ter-lhe despejado a cerveja pela cabeça abaixo, enquanto ela conversava com o outro, lever-lhe o telemóvel, vendê-lo ao primeiro transeunte na rua mais à mão de desenhar e, com a receita, comprar um par de calças devidamente secas, transportando-o em leveza ... :)

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    3. contigo os meus enredos nunca seriam monótonos :)

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  2. o homem que desejara ser vento deveria ter procurado outra mulher na esplanada e ter-lhe sorrido encantadoramente /quiçá, ter-se mudado para a sua mesa/. coisas acontecem, quando as mulheres que querem ver o sol a "dois tempos", são deixadas sozinhas...

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    1. a esplanada estava molhada e deserta... e o homem que queria ser vento é tão volátil como a mulher que queria ver o céu... ou o sol :)ou os sois... mas nunca seria capaz de provocar uma cena de ciúmes em palco, isso nunca...

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  3. Temos que nos estimar mais, sr Manel.
    Dias melhores virão, para quem tenta .... estimar-se!
    Bom fim de semana sr Manel

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    1. A Florzinha é tal e qual o meu anjo pendurado no ombro, a sussurrar melhores dias :) assim o espero :)

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  4. O homem que queria ser vento devia ter sido vento.

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    1. ninguém consegue ser vento :) pelo menos com as calças molhadas :)

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  5. O homem que queria ser vento ficou, quando a rapariga perder o entusiasmo pelo outro notará isso, espero que seja tarde e o homem esteja noutra esplanada, noutra companhia

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    1. É muito complicado deixar de gostar de mulheres que fazem sacrifícios quando querem ver o céu... mesmo que este esteja coberto de nuvens. Mas um homem que deseja ser vento tem por obrigação ver o que os outros nã conseguem ver... se é que isto faz qualquer sentido :)

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  6. Estes desencontros cármicos (chamemos-lhe assim) matam-me.

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    1. haverá maneira de saber sobre do que falavam naquela língua estranha?

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  7. A mulher que queria ver o céu sorria enquanto falava com o outro ao telemóvel. O outro que falava com a mulher que queria ver o céu, queria a mulher que o fazia escrever nas estrelas, que amava o homem que construía castelos. O homem que desejara ser vento deixava que o ciúme lhe corroesse as artérias, afinal de contas estava ali com a mulher que queria ver o céu e isso fazia com que ele sentisse que era vento e sendo vento passeava-se, sem o saber, pela mulher que não era de lado nenhum e que ganhava raízes quando reconhecia no vento, o homem que sentado numa cadeira molhada, desejava a mulher que queria ver o céu.
    Viviam fadados para impossibilidades.

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  8. que nada... é uma história antiga :)

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    1. ainda não acabou, falta quebrar o feitiço, o das impossibilidades.

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  9. Uma mulher que quer ver o céu merece que a deixem sorrir ao telefone enquanto fala com outro e que, ainda assim, lhe ventem no ouvido disponível.

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