sábado, 16 de julho de 2016

hüzün

Henri fica a meio de uma frase. Na outra sala deixei de o ouvir e espreito pela porta. O geral foi desligado, mas nunca se sabe. Está parado diante de uma calha, os braços desabados junto ao tronco. Foi alívio que sentiu de madrugada ao confirmar que nenhuma das vítimas era seu familiar, mas mesmo assim não deixa de sentir uma imensa tristeza que fica com ele, ali especados a olhar para nada. No dia seguinte somam-se mais números.Temo habitar num certo distanciamento melancólico. 

medusa in Yerebatan Sarayi

15 comentários:

  1. O perigo é esse, a progressiva indiferença...

    Beijos, Stormy boy :)

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    1. é um mundo ligado que cada vez mais se liga para dentro...
      beijos Tutu, bons sonhos

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  2. A indiferença, virá a ser a morte do artista

    Boa tarde Polvinho pensante, afilhado mailindo quinté

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    1. o artista é um bom artista, nã havia necessidade...

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  3. Manel, a imagem é fantástica.
    Olha, digo-te sem ponta de dúvida e fruto de cenas da vida, que a tristeza à séria, a morte por dentro, apanha-se por via da indiferença. Não resta nada para além desse patamar.

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    1. nã sei se estarei totalmente de acordo, desconfio que haja uns quantos patamares acima... infelizmente. é de temer, a ausência de medusas.

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  4. Dizem-nos que é preciso continuar a viver como sempre. Será isso possível. ?

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    1. nã continuamos enquanto se matam pessoas em todo o mundo pelos mais variados e estranhos motivos?

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  5. Manel, pensei mais sobre a indiferença... Até escrevi, mas ainda não mandei para fora.
    Há várias gradações da indiferença e ela não é necessariamente o pior patamar.

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    1. :) nã sou um filósofo, só me sobra de vez em quando um tempo de ideias...

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  6. as pessoas andam na rua a caçar pokemons. até eu, pedi que me instalassem a aplicação para ver se tinha algum dentro de casa...sabes que as despesas já são tantas que não posso facilitar. um pokemon dentro de casa seria a gota de água...

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    1. se começarem a pagar pelos comentários, acho que vais conseguir equilibrar as contas :)
      li coisas sobre esse flagelo, tu evita cenas dessas...

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    2. E é vê-los nas ruas, com os olhos pregados ao telemóvel, abalroando as pessoas, na caça dos pokémons. Nunca pensei ver tanto adulto infantilizado, ou controlado, quem sabe.

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