sábado, 21 de novembro de 2015

zero


cinco graus e chuva fraca… se usasse mais do que uma palavra nos meus títulos.

À sexta escapam da clausura, trocam o cansaço e vestem a melhor coisa por umas cervejas, ou outra espécie. A menos de seis quilómetros vende-se, mas decidem uma rota mais audaz, ambiente melhorado, quase o triplo da distância. Entenda-se ambiente melhorado como sítio ocasionalmente frequentado por mulheres, sendo a noite de sexta o valor máximo da probabilidade. Calha ao maltês na sorte, o azar de trazer o carro, não haverá ressaca e o frio crava-lhe fábulas nos ossos.

Quatro graus e chuva fraca, queima como neve quando toca. É rápido. Nas traseiras dos depósitos, ao fundo depois dos banheiros, não há lençol amarrotado, somente frio e negrura infinita. É tão rápido que os olhos não se habituam, deslizam cegos um no outro agarrados pela cabeça, pouco da pele exposta é quente. Das bocas libertam-se arfados, ais em duas línguas, o ar em nuvens, não há vocábulos, os corpos comprimem-se, atravessam os poros.

Zero graus e chuva fraca. Chega silencioso, mais gelado e vazio, amor ordinário, metade do homem que escapou, sóbrio.


Touch by Sainer, 
acrylics on canvas 70x150 cm, 2012 ... more were

22 comentários:

  1. Vá lá, nem tudo está perdido, metade do homem escapou sóbrio!
    A noite fria, vazia e com muito grau de apatia não faz bem a ninguém Manelito.
    Beijinho Moço :)

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  2. Meio afilhado, em meias sextas, meias sobriedades, meias temperaturas em ambientes meio escuros, meio escusos a que, nem meios amores se podem chamar. Outro meio que se move na lucidez. E assim se faz o mê afilhado mailindo quinté, que não há meio de dar volta a uma vida de meias tintas.

    Abreijo em TU afilhado mailindo

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  3. Talvez metade da noite seja a lembrança do dia :)

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  4. O amor ordinário chega sempre gelado e vazio. Mesmo quando servido a trinta graus.
    Bonito post.

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    1. sintomas associados: dispepsia e eructação de palavras.
      Obrigado Capitã!

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  5. Uma curiosidade do caneco - factual - de saber qual a tua idade cronológica.

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    1. :D uma curiosidade do caneco... saber quantos me dás.

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    2. Factual: sou um desastre (conforme referi lá na hospedaria) a atribuir idades cronológicas. Do bebé ao avô (conforme o anúncio :)

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    3. mas se calhar até acertavas... pronto, são 37

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    1. caraças, devias ter dito um número... até podíamos ter feito um concurso :)

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    2. não brinques com os meus 17, à la totobola, ou levas uma canelada que nunca mais t'alembra a brincadeira dos númbaros. Eu é que m'alembrei dos númbaros, mazera só para saber, não para ganhar.

      ai.

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    3. pardon... já cá não está quem latiu... :)
      ai

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    4. já passou, agora queria saber da autoria do teu belo cabeçalho de pendor tão japonico :)

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    5. magellinadad.blogspot.pt/2012/04/japanese-woodblock-style-waves.html

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    1. nã pode ser sempre, ou qualquer dia fico sem figo... :)

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  8. E no zero também existe um todo que pode criar raízes.
    Digo eu, que já me chamaram niilista !
    Beijo Manel.:))

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    1. nã será de todo impossível, mas o zero é ambivalente, dependendo se está à esquerda ou à direita... :) beijo, beijo, beijo

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