sábado, 7 de novembro de 2015

montante

Levantou o aro e ficou por momentos a observar o líquido azul que oscilava no fundo da sanita. Atrás de si ela lavava os dentes, curvada sobre o lavatório, apartando os cabelos ondulados e fartos da espuma da pasta. Não conseguia ter a certeza sobre aquele fragmento de memória, parecia irreal, como se alguém o tivesse cortado pelo caule e propagado por estaca nas suas recordações. Havia um imenso bloco de granito que teria rolado pela encosta até ao fundo onde um riacho levava pouca água. Era mesmo grande, mas não era a imponência da pedra que o baralhava, mas sim a foda rápida e desprovida de pejo ali contra a rocha, completamente expostos e surdos pela queda de água. Ela estaria de costas, assim curvada como estava no lavatório, ele não se lembrava do seu rosto. Usava um biquíni florido que apartou, ignívora, desfazendo-se no seu interior num turbilhão de múltiplas amnésias.
-Tens ideia de uma encosta coberta de fetos e sombra, que terminava num rio com pouca água, e a montante uma queda, onda havia um enorme bloco de granito? 
Ela abriu a torneira e encheu a boca de água umas vezes, cuspindo de seguida antes de responder.
-Pitões. 
-Sim , sim, Pitões das Júnias, foi contigo então.
-Como assim?

desconheço o autor, tirei daqui http://www.ufunk.net/en/artistes/djerbahood-street-art/




9 comentários:

  1. Fósforo, toma fósforo com urgência.
    :))

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    1. nã estou a ouvir muito bem, pode repetir?
      bom dia, bom dia :)

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  3. Manelito, ao que li, ambos padecem de amnésia ;)
    A imagem é muito bonita.
    Beijinho moço.

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    1. :) como quem lê não habita na minha demência, é aceitável qualquer interpretação. beijos,

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    1. :) é possível... ou blocos de granito diferentes!

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    2. acontece. e não tão ficcionados quanto os unicónios :)

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