terça-feira, 29 de setembro de 2015

ufano

Sonhei com ela, a nova musa. Estávamos na praia, só os dois, ela corria na areia descalça, salpicando a roupa clara. Os cabelos dançavam mas não havia vento, algo brilhante enterrado na areia lhe captara a atenção, quando me aproximei segurava na ponta dos dedos uma concha de náutilo de proporção áurea. Ofuscados pelos reflexos do nácar, não demos pelos pinheiros da orla que se aproximavam, ela deitou-se na areia e mergulhei até ao fundo em apneia, unindo bocas e línguas. Parecia real, o corpo dela encontrava o meu na deriva dos continentes, cheirava a mar e feldspato. Nos dedos percorríamos a pele nua, no contorno das costuras abertas para o interior ainda quente. Ela fechava os olhos, como a tinha visto pelo espelho retrovisor, a boca ligeiramente entreaberta gemendo sem som. Agarrei-lhe um punhado de cabelo no topo da nuca e deslizei com ímpeto mar adentro. "Miau" disse ela, "miau" e de novo insistiu "miau". Acordei estremunhado, era o gato a pedir rua.



Duche de água fria para começar o dia... porra pras rimas.



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