sábado, 1 de novembro de 2014

enrijar



Depressa a noite varreu os restos do dia dispersos pelo céu nublado, havia cada vez menos pessoas na rua, passos rápidos orientavam guarda-chuvas abertos, distorcidos pela iluminação fraca que incidia nos passeios molhados. 


Era nisto que pensava sentado na mesa, quando a senhora loira que ele julgava ser apenas a recepcionista, entrou arregaçando as mangas da bata. Fez-se escarlate mas ela não notou, ou se notou não mencionou. Deitou-se de bruços encaixando a cabeça no orifício da mesa e ela acomodou os diversos turcos por cima, de forma a cobrirem-lhe todo o corpo com excepção da cabeça e início dos ombros. Era confortável como imaginara, mas mais limpo e perfumado do que idealizara. Ouvia-a encher as mãos com o que supostamente seria óleo de massagens e de seguida destapou o turco maior que lhe cobria as omoplatas até ao fim das costas e começou a massajá-lo, primeiro muito suave, mantendo sempre o contacto com uma das mãos, num contínuo vai e vem através dos ossos da coluna. O homem que ansiava tudo e ao mesmo tempo nada, estava hirto como um pau, desabituado ao toque, parecia que a pele estava prestes a estalar de vermelha e tensa. 
“Tente não pensar em nada” sussurrou a mulher loira, unindo as mãos na base do pescoço do homem, partindo dali para os ombros retesados.
Não pensar em nada! Curiosamente era isso que o homem estava a conseguir fazer, não pensar em nada, mas a partir do momento em que ela mencionara, tudo voltava. Pelo menos era o que ele pensava. Voltou a concentrar-se em sentir as extremidades dos dedos da massagista, da proximidade do seu corpo, que por vezes roçava inadvertidamente a sua mão voltada de palma para cima, tapada pelo turco, mas ainda assim, consciente. 

A massagista demorou-se mais do que o normal em volta dos ombros, estavam tensos, carregados de nódulos. É curioso o que o corpo de uma pessoa nos pode dizer sem que abra a boca, pensava a mulher loira, orientando agora a sua atenção para os membros inferiores do homem. Um médico legista poderia dizer muito mais, mas ela só de lhe tocar através da pele, sentindo os nervos, calosidades e nódulos, tendões e ossos, adivinhava os anseios diários daquele homem. 

Com o punho fechado, fazia deslizar com alguma pressão os nós dos dedos contra a superfície plantar do pé, rodando o punho desde a base dos dedos até ao calcanhar, fazendo com que o homem não controlasse a saliva que lhe escorria num fio junto ao lábio, de tão relaxado que estava. Depois puxou cada um dos dedos com alguma força, enrolando-os numa ponta da toalha. Parecia magia, as dores que sentira até aquele momento, extinguiam-se dando lugar a uma sensação de relaxamento. Mas assim que as mãos deslizaram pela perna acima, parando na iminência da virilha, estremeceu sem controlo da convergência do sangue que aflorava para aquela área, originando um enrijar embaraçoso do órgão sexual.

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