sábado, 14 de junho de 2014

pousio

Desde que Alicja voltou para Szczecinek, levando o scirocco e as festas divertidas, Jochen deixou de sair de casa. Passam o tempo a trocar mensagens pelo telefone e depois ao fim do dia instala-se em frente ao portátil e adormece online. Chega a dar vómitos quando lá vou acordá-lo.
Não foi difícil convencer o moço a deixar tudo para ir com ela, os pais têm uma residencial perto do lago e ela vai tomar conta do negócio, daqui mais ou menos um mês darão inicio a uma nova e idílica vida. Ele ainda não foi e já lhe sinto falta. É uma maçada este apego, prometi-lhes uma visita assim que conseguir uns dias de férias, mas o mais provável é não nos voltarmos a ver.

Entretanto o “bolchevista” desapareceu e do grupo de quatro que costumava encontrar-se na explanada do Ankert, só resto eu e o bonitão do Péter. Um dia destes encontrei-o em Ecseri piac, a feira da ladra cá do sítio, estava a regatear o valor de um relógio de bolso, pelo menos era o que parecia. Acabamos por ir beber uns copos. Péter é um bom vivant, com trinta anos já feitos e uma grande marrafa, nunca precisou de trabalhar, vai vivendo do aluguer de uma mercearia no décimo quinto distrito e do apartamento onde Alicja já não mora. Também se dedica a uns quantos negócios pouco honestos, mas tudo o que ganha acaba por gastar com mulheres, ou a pagar copos aos amigos.  Como não tem muitos amigos, e os que tem ultimamente andam desaparecidos, decidiu assim do nada comprar um bilhete de avião e foi atrás de uma espanhola que seguia para Malta.

A meio da semana passada ligou-me, tinha uma inglesa interessada no apartamento, mas como não ia cá estar, pediu se eu no sábado podia mostrar. Regateámos as condições… na minha folga, sair do choco para descer até Peste em transportes públicos, parecia-me demasiado. Acabei por aceitar em troca do uso da “máquina” para as minhas deslocações. Já o tinha conduzido uma vez, na M7, quando o ponteiro passou os 200 o gajo quase tinha uma síncope e jurou que não voltava a acontecer. Um Mitsubishi Lancer Evolution X, em preto mate, 295 cavalinhos, suspensão independente e um acelerador que parece não ter fim. Um pouco quitado demais para o meu gosto, mas a cavalo emprestado…


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