quinta-feira, 19 de junho de 2014

molares

A claridade já enchera o quarto dificultando a leitura da informação que corria nos painéis da estação. Pela hora só podia ser aquele, mas não tinha a certeza de estar na plataforma certa, podia perguntar, mas as pessoas caminhavam com pressa, sem olhos.
Um sinal sonoro entoou pelo recinto, aproximava-se um comboio na linha contrária, difundiam os altifalantes.
A plataforma oposta ficou momentaneamente tapada pela composição de 19 vagões, e assim que as portas se fecharam e o comboio seguiu viagem, instalou-se o silêncio.
Confirmei as horas no relógio, depois procurei novamente o bilhete no bolso da camisa. Alguma coisa estava fora de sítio, talvez o sol. O mesmo sinal sonoro voltou a tocar, desta vez não anunciaram nada. Então algo no interior da boca se soltou. Como um caroço de cereja sem a doçura do fruto carnudo. Cuspi para a mão, um dente molar, com saliências estranhas e raiz, depois mais cinco, grandes e largos, do fundo da boca, angustiado guardei-os na bolsa superior da mochila. lá vinha o comboio...


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