terça-feira, 4 de março de 2014

escala



Nas imediações de Szombathely vivia um homem sozinho. Era um homem de meia-idade, sem qualquer atributo físico que valesse a pena destacar, de estatura mediana e destituído de finura, igual a tantos homens nascidos por aqueles lados. Talvez o mais inusitado na sua pessoa fosse o facto de viver algures perto de Szombathely. Para quem não sabe, Szombathely foi a capital de Panónia Prima, uma província romana criada por volta do ano de 296 que incluía partes da moderna Hungria, Croácia, Áustria, Eslovénia e Eslováquia. 

E podia ficar por aqui, tudo o que havia para dizer sobre este homem resumia-se a meia dúzia de linhas, não fosse ele ter respondido a um pequeno teste de felicidade relativa composto por dezoito perguntas e obter um resultado muito abaixo dos vinte e seis pontos normais, concluindo-se que seria a pessoa mais infeliz nas imediações de Szombathely. Um mês depois espalhou-se até à capital, em menos de meio ano a notícia alastrara-se pelo globo, e no jornal da noite directamente das imediações de Szombthely, podia contemplar-se o homem mais triste do mundo, que lá vivia sozinho.

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