domingo, 8 de setembro de 2013

pulo

Na primeira cocheira pegada da casa de arreios, prendi as nuvens carregadas pela argola, corda de nylon reforçada, davam-me água pela barba, as malvadas! atão deixei o vento à solta, como um equídeo feliz, galopando pelo prado sem rédea. Volta e meia, passava por ali, fingindo não me ver, sacundido a copa dos freixos. Era densa a mata, a luz dispersava-se sem beijar o solo, os rios levavam pouca água, e o coração dela estava vazio.
Pela noite aproximou-se o frio, cão de pêlo farto, cheirando o ar, procurando um afecto. Pousei-lhe a mão pela cabeça larga, dócil, fiel, deixava-se ficar encostado ao meu corpo até de madrugada, e aos primeiros sinais de sol, voltava como veio... os dias já estão mais curtos, nem todas as andorinhas partiram, daqui ao natal é um pulo...

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