sexta-feira, 19 de julho de 2013

refrear

Sinto que estou a pagar por todos os dias de sublime liberdade que respirei, por cada grito, palavra, por cada inimigo declarado que derrotei com um sorriso no vértice do lábio. Nesses tempos partia convicto de que nada tinha a perder, cabeça erguida despenteado, ostentando somente a vontade do vento.

Nem dei pelo arnês, o cabresto em couro, atadas as rédeas no bridão de extremidades em argola, primeiro o joelho cedeu. Seguiu-se a vergastada, sacudindo o silêncio do ar e os dentes afiados do látego cravados. Resfolguei de dor mas ninguém me ouve. Eleva o braço com firmeza, anunciando o regresso doloroso do látego. Os músculos contraem-se no jugo e se eu tentar fugir, estica o freio e de novo ajoelho. A dor dilacerante embacia-me a visão, e cerce curvo-me devoto aos pés dela. Agrada-lhe o falso apreço, regozija-se pela caça e exige reconhecimento pisando-me a cara com o salto, cantando para uma plateia aquela hora deserta: até os homens livres se domam!

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