segunda-feira, 3 de junho de 2013

vaguear



olho a imensidão do céu no momento em que o dia esmorece em tons de laranja ali ao longe. 

ainda não escureceu completamente deste lado, do outro o manto é azul nocturno esperando ser bordado por mãos experientes a pequenos pontos cintilantes. 

como é quente o ar que entra pela janela deixada aberta, transborda de vida junto à iluminação da via pública, não tarda pequenas sombras se alimentaram daquela massa instantânea. 

julgo indecifrável o cheiro que vagueia perdido, não é de flores nem da erva que o vizinho teima em cortar, talvez seja poejo e venha de além sul. maldito cão que ladra. 

a tv do andar de cima cacareja e o camião do lixo alimenta-se. não há aqui quintais com laranjeiras esperando a subida oportuna na noite sem lua, nem vizinha estendendo ao vento toalhas amarelas e desejos na corda. foi noutro tempo, há muito tempo, talvez tenha confundido a história de tão amarfalhada guardada na gaveta, algures anda perdida nos restos da memória. 

apetecia-me um cigarro... 







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