terça-feira, 12 de março de 2013

entorpecer

Qual é o nome científico para filhoses?

Rodei a cabeça e disse que não tinha entendido, ela repetiu. Qualquer dia vai pedir que desenhe uma ovelha, e terei de lhe dizer que só sei desenhar montanhas e dias cinzentos de chuva. Abri com dificuldade os olhos encarando sem vontade a claridade do início da tarde. Não vale a pena acordar cedo e abrir os olhos para uma noite interminável. E ela ali estava, enrolada nua numa manta, óculos na ponta do nariz, fazendo levitar um cigarro que se extinguia muito lento, por vezes tive a sensação que era sempre o mesmo. Um dos pés balançava suspenso, tatuado por sombras geométricas e reflexos, gelado quando tocasse o chão pela extremidade dos dedos. O outro ocultava-se no rebordo tricotado de lã, resguardado do frio mas adormecido pelo estrangulamento do nervo. Escreve com a mão do fumo, só usa uma na máquina antiga, castigando as teclas bastante gastas, e quando uma frase surge na abstracção do fim desperdiçado da manhã, segura o cigarro pelo canto do lábio, esborratado do que foi vermelho. Não há cinzeiros nesta casa, usa um vaso abandonado, sempre a par com uma chávena almoçadeira transbordando de café. Parou o matraquear dos caracteres em alto relevo, esperando pela resposta que vem acordando, a noite foi longa...

Diria que é foliolum… ou no plural foliola.

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