segunda-feira, 10 de setembro de 2012

suão

Já me tinha esquecido como era longe… nos confins do mundo, prolongava-se por horas a viagem.
Já me tinha esquecido como era o caminho… perdia o fôlego na paisagem, ribeiras correndo vazias.
Já me tinha esquecido como era o silêncio… banhado a ouro, das praças vazias sem sombras no pico do meio-dia.
Já me tinha esquecido do cheiro… e enchia os pulmões… a uva redonda, do vinho tão manso, a planície a perder de vista.
Já me tinha esquecido da luz desta casa… da janela do meu quarto, destes troncos de sobreira despida.
Já me tinha esquecido como era pequeno o abraço de minha mãe… e como cabia nele o meu universo… os seus cabelos de prata, olhos marejados de saudade.
Já me tinha esquecido das mãos de meu pai… pesadas no castigo… aperto duro calejadas de fouçar, desprovidas de afectos.

Sem comentários:

Enviar um comentário