quinta-feira, 6 de setembro de 2012

pernicioso

Pernicioso (nocivo, perigoso)… ou acendalha terceiro lote

Alguém escreveu amo-te no asfalto, conta debruçada na janela, ninfa nua que expele fumo, esgotando libidinosa um cigarro. Por fim, espreme nos dedos o filtro. Também me esgotou a mim, esvaziando-me as forças, deixando-me despido na cama, destapado aos raios solares, desprotegido, mais morto que vivo. Volta sabendo a passas, cheirando a solanáceas… Não sei como resistes, suspira sobre mim, enrola os dedos pelo meu cabelo. A quê? Pergunto, de olhos fechados, fingindo defunto. Fumar… como consegues? Resisto a tudo… Não resistes a mim! Interrompeu, cortando-me a palavra no meio, como quem corta uma laranja e espera que se lhe verta o sumo da verdade, fatalmente irresistível, possuía os direitos sobre a minha vontade. Com o gume sagaz encostado ao pescoço, continuei. O problema reside em ti, não em mim, há algo que te coloca acima… Acima assim? Dizia, sorriso cristalino, passando uma perna por cima de mim, sentando-se no meu tronco. Confortável a menina? Oh, sim… Puxo-a pelas coxas, arrasto-me por baixo dela, solta um grito de surpresa, um outro depois de prazer, derrete-se deliciosa na minha boca, pernicioso o sabor, corpo que estremece no vai e vem da língua… vem-se.

Limpo a cara besuntada na ponta solta do lençol. Inclino-me na janela, amo-te escrito no asfalto, imperceptível a quem passa, versal desgastado, mas visível a quem aterra na lua. Há momentos na vida de um gajo, em que uma subida de quatro lanços de escada, dariam a altura necessária para uma visão mais clara, amplificada. Em situações mais complicadas, aconselharia o aluguer de uma grua… olhe, por favor, quanto leva à hora? Preciso de pelo menos duas para perspectivar a minha vida!

Acende-me um cigarro, pede esticando o braço preguiçoso. Tenho algo muito mais interessante para abraçares com os teus lábios…

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