sábado, 4 de agosto de 2012

khanjarli

nove letras, oito vertical, tipo de adaga Hindu, com uma forte lâmina de duplo gume e largo pomo de formato semi-circular...

No dia seguinte já os ponteiros marcavam a tarde, e ela levantou-se sem certezas e sem roupas, seguindo o rasto quente do café que a esperava, ansioso por se esvaziar nela em sinal de veneração e a preencher de conforto. O olhar ainda mais tenso parou em mim, analisou-me por fora, não me encontrado por dentro.

Sentou-se na beira mais distante de mim, parece estranho, mas é exactamente a mesma distância a que se sentou na noite passada, nem mais nem menos um milímetro. Eu sei que é a mesma distância, ela também. Um afastamento propositado, medido, planeado sem erros, que errar só é permitido a humanos, e nós não somos bem isso.

Bebe da chávena sem marcas de bâton. Parece uma imperatriz, empanturrada de vaidade a quem um trago mais súbito vai queimar o céu da boca, escaldar a abóbada palatina e pintar a castanho a língua bifurcada, que toca os lábios sibilante para me dizer. Odeio-te!


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