alheamento
O tumulto de mais de três mil cavalos de potencia da locomotiva a diesel, ofuscava completamente a voz um pouco estridente de entusiasmo da vizinha. Devolvi-lhe um meio sorriso. Não tinha ouvido praticamente nada, mas sabia que assim que a locomotiva avançasse e antes de entrarmos na nossa carruagem, ela iria repetir a divertida conversa que acabara de ter com o fator. O som não avançara sozinho no assalto aos sentidos; o odor intenso e acre a óleo e a madeira queimada também contribuíram para me arrastar dali para outra dimensão. Sofria desse alheamento quando um dos sentidos ficava saturado e sob o efeito daquela trepidação e do cheiro, a mente vagueava. Logo depois, veio o esforço de organizar as palavras, o desejo de prender no papel o que acabara de sentir e dar forma textual a uma sensação abstrata. Mas o resultado era medíocre. Dissipada a vertigem, o meu corpo relaxou no silêncio matinal das segundas-feiras, acolhido por uma carruagem lenta e adormecida. A vizinha re...



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