шишка

shishka! shishka! sussurrou a mulher com as faces vermelhas.
acordei vestido em cima da cama. dez minutos, lembro-me de ter pensado e acabei por adormecer. 
lá fora ainda é noite e o vento bem domado uiva nas telhas. talvez vista o pijama e me enfie na cama.
 shishka! shishka! se dormir ela vai voltar a sussurrar-me ao ouvido. 
faço café, arrumo a loiça, conto os dias que faltam para que volte. não falta assim muito, mas às vezes aparece antes da neve derreter, com a vara a pastorar os melros e os pintarroxos. 
 shishka! shishka! cheiras a suor...
foi isso que ela disse no sonho. não usava valenkis nem as luvas de lã vermelha sem dedos. mas era ela, tenho a certeza. foi isso, e então tirei a camisola e lavei-me no tanque com uma sobra de sabão azul. sete domingos, nem mais nem menos. a não ser que regresse antes do tempo.

шишка (shishka) pinha

Bernhard Rode's 1785 painting Allegory of Spring


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