calçada

 O sol já tinha galgado o zénite e as galinhas reuniam-se no canteiro junto ao tanque. Nada cresce naquele canteiro desde que o escolheram para os seus banhos de terra pós almoço. Sentia-se no ar uma tranquilidade incómoda, uma presença sombria que surgiu sob a forma de uma silhueta compacta clara a pairar bem acima das nossas cabeças. Vicente, o galo, tropeçou a toda a brida para a segurança do galinheiro, deixando as suas protegidas de cabeças de lado, um olho apontado ao céu, congeladas como estátuas emplumadas. Todas as criaturas se suspendem em silêncio. Está perto, sente-se. Um grito corta o ar, parece que vem do galinheiro. Vicente terá dado para se engasgar num momento tão tenso, mas não é o galo. Entro no galinheiro e do outro lado no campo aberto os pardais levantam voo e o som que fazem mistura-se com os guinchos que parecem ser de um coelho. E ali está ela, a águia-calçada. É tudo muito rápido, ela também me vê e sem hesitação levanta voo levando o almoço. 

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