abril
enquanto jovem imberbe, invejei a juventude revolucionária dos meus pais durante a ditadura. eu tinha a ideologia, crescera a ouvir as músicas de intervenção, as histórias clandestinas, sonhava combater o fascismo, lutar pela liberdade. a minha juventude era fútil, um marasmo de borbulhas e bandas melancólicas que apelavam ao consumo de substâncias ilícitas para escapar da realidade. mas a vida tinha de ser mais do que crises existenciais. eu queria lutar, queria revoltar-me mas não havia contra quem. quando penso naquele tempo, sinto que houve realmente um imenso vazio. era como se não fosse digno do esforço que a geração anterior tinha feito.

As sensações de impotência na puberdade, tanto podem passar como ficarem retidas a ferro e fogo na memória. Também vivo com algumas, mas nada a ver com revoluções.
ResponderEliminarA revolução manteve-se no meu interior com a incapacidade de seguir a minha intuição e dizer não, mais, se fosse agora diria:
'Vá de retro, satanás´...Os sinais estavam todos lá, mas... e vê-los?
Não percebeste nada, Manel? Deixa lá, são coisas minhas e antigas, paras as quais não há remédio.
Beijocas e abraços. : )
Também era uma miúda mas vivi depois nos anos 80, enquanto adolescente, com muitos dos que tinham estado no cerne da revolução e o que me custava mais era a sua tristeza e indignação, creio que sonhavam que as coisas pudesse ter ido mais longe, mais fundo. Iam muito depressa e demasiado à frente, se na altura lhes custava perceber o povo que votou Cavaco Silva, imagino agora...quanto ao combate, ele está aí e é todos os dias, nada está afinal nunca conquistado.
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