bolbos

 os bolbos que deverão florir por altura dos santos já despontam da terra como lanças ensanguentadas. esqueci o nome. são os "bolbos" e provavelmente serão bolbos até florirem e talvez aí consiga achar um nome mais apropriado. mas não é a cabeça que falha, coitada, está apenas cheia. são muitos nomes, novos nomes, experiências em curso, tudo ao mesmo tempo, porque é agora ou nunca. as tabuletas de pauzinhos de gelados não resultam porque a tinta do marcador desbota com a água, e o lápis desvanece. também são insuficientes quando se quer escrever "abóboras porqueira". nas abóboras manteiga só escrevi abóboras, o que posso fazer é só escrever "porqueiras". se não escrever, e já aconteceu antes, vou confundir as abóboras com as curgetes e com as chilas. os melões e as melancias também são parecidos quando germinam, depois aos poucos  vão-se diferenciando. semeei também capuchinhas, beringelas, alface e girassol. os tomateiros são de duas variedades, mas só os corações estão germinados. pepinos Arolas, curgetes di Nizza e pimentos do Sabugal semeados em harmonia. a salsa já vai espreitando, assim como os manjericos. a camomila romana transplantei para um vaso, e atrás dela foram os cravos túnicos, as margaridas e algumas calêndulas e cosmos. tenho ainda a crescer a erva da vaca branca, a chicória, a facélia, o endro, a lavanda... a batata já dá ares da sua graça mas não perguntem a variedade. na horta de cima reinam os alhos, as couves greladas, o alho francês e a cebola. as ervilhas também estão apressadas e as favas quase prontas. o feijão verde está tímido, a ervilha de quebrar cresce a coberto. a couve galega é uma amostra a precisar muito de monda, mas as pak choi estão um mimo. a rúcula em vias de ser transplantada e os pés de pimento padron saíram hoje da estufa onde passaram o inverno. 

Irises-Vincent van Gogh


Comentários

  1. Querido afilhado mailindo quinté, Isto não é uma horta, é uma epopeia botânica em versão primavera.
    Entre bolbos misteriosos (que claramente gostam de suspense) e abóboras com crises de identidade, há aqui um verdadeiro laboratório de vida e de nomes improváveis, que é metade da graça.
    Adorei especialmente a luta titânica contra as tabuletas traidoras: a natureza floresce, a tinta foge, e o lápis rende-se.
    No meio desse aparente caos (que de caos não tem nada), percebe-se um cuidado enorme e uma espécie de coreografia invisível onde tudo encontra o seu lugar… até as “porqueiras”.
    Fico à espera da revelação dos bolbos, até lá, que continuem dramáticos e cheios de personalidade. Ahahahahah

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  2. Super preparado para a guerra... até as flores, para os canos das armas, tens.

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