termogenina

... ou a minha proteína favorita e a dos ursos também

A termogenina foi a primeira proteína desacopladora a ser descoberta, curiosamente no ano em que nasci. É uma proteína transmembranar presente na membrana interna das mitocôndrias do tecido adiposo.  Sim, a primeira vez que ouvi falar nisto também senti que estava numa aula de coreano, nível avançado, mas depois de me terem explicado o que era uma mitocôndria e para o que servia, tudo fez muito mais sentido.      

Aqui vai a minha tentativa: as mitocôndrias para quem não sabe, são tipo as centrais elétricas das nossas células. Elas geram energia de uma forma realmente fascinante, transformando moléculas como os hidratos de carbono e ácidos gordos, em energia química na forma de ATP (Adenosina trifosfato) ou por assim dizer, combustível biológico. Estas “bichas” com nome engraçado possuem tipo um espaço entre a membrana interna e a membrana externa, e estas proteínas transmembranares, como a termogenina, o que fazem é interromper a produção de energia.

Mas porquê que a natureza criou uma proteína que impede a produção de energia, perguntam vocês. E mais curioso ainda, porquê que ela é mais comum no tecido adiposo castanho? Voltamos ao coreano, mas eu vou tentar traduzir.

Existem dois tipos de tecido adiposo, o branco e o castanho. Já agora, tecido adiposo é constituído por células especializadas em armazenar gordura – os adipócitos. Sim, aquilo a que vulgarmente chamamos “pneus” ou “pneuzinhos” em torno da barriga, é tecido adiposo. No caso do castanho ele é encontrado em todos os neonatos dos mamíferos, mantendo-se presente em quantidades consideráveis apenas em indivíduos adultos de espécies hibernantes, daí eu ter mencionar os ursos. Os depósitos de tecido adiposo castanho estão praticamente ausentes em humanos adultos, mas são encontrados em fetos e recém-nascidos. Este tecido é especializado na produção de calor (termogênese) e, portanto, participa ativamente na regulação da temperatura corporal. 

É aqui que entra a minha proteína favorita, a termogenina, que existe em grande quantidade neste tecido e que interrompe a produção de energia, para permite a produção de calor, sendo muito importante para animais que hibernam como os ursos, mas também em animais recém-nascidos, como as crias humanas, que não possuem ainda todos os mecanismos de manutenção da temperatura corporal como um adulto. É curioso, porque ambos não precisam de energia, mas precisam de calor e é como se possuíssem um interruptor interno que permite fornecer aquilo que precisam naquele determinado momento. 

Eu gostava de ter uma proteína que permitisse criar conjuntos de palavras bonitas e articuladas em forma de belas histórias, mas infelizmente não tenho. E pronto, está explicado o meu fascínio. Espero que tenham ficado fãs da termogenina e das mitocôndrias também, que elas são nossas amigas.






Comentários

  1. O meu comentário não ficou, ou estão eles moderados?

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  2. Bora lá fazer bis :-)

    Da Geologia à Biologia, que salto, pensei eu com os meus botões, depois, pensei, nem tãnto, afinal uma e outra fazem parte do início de tudo, pois não é? E tudo isto para me pendurar no teu esforço e pedir-te para descobrires o pincípio do declínio dos "pneuzinhos" sem esforço. E vem contar à gente os meandros da tramóia dessas desgraçadas.

    Que bom é voltar a ler-te. Melhor saber-te, ainda, por cá.

    Beijocas da madrinha, afilhado mailindo

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    1. querida Madrinha, o esforço é fundamental para queimar "pneuzinhos"... sem esforço só os ursos conseguem :)
      nã se livram de mim assim com duas tretas, embora nã tenha novidades nem nada de interessante para contar. é que nem sonhos, nem pesadelos, nem horta... parece que o tempo se suspendeu
      beijocas :)

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    1. e nem sequer mencionei o ciclo de Krebs ou a teoria endossimbiótica :)
      abraço

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  4. Eu sou é de fã de um tipo que conheci há uns anos, um gajo que me disse ter 75% de sangue cigano a correr-lhe nas veias - não sei se os 25% restantes serão de sangue índio, negro, amarelo ou branco, nem me interessa - por quem me apaixorei perdidamente.
    Se o vires por aí, diz-lhe que ainda o não esqueci. Diz-lhe, também, que as proteínas que ele tem já são suficientes para criar todos os conjuntos de palavras possíveis e imaginárias...agora, se houver por aí, alguma que combata a preguiça, eu compro---para lhe oferecer como prenda de aniversário... 😇

    Beijo, Manel....🥰



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    1. nã sei quem será, acho que nunca tive o prazer de conhecer... mas se o vir, eu digo :)
      era mesmo bom uma proteína anti-preguiça, que nos desse assim um boost de energia, tipo café extra forte sem os efeitos adversos do café :)
      beijocas, Janita

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    2. Beijocas, M. Mau-Tempo... 😚 👍 😅 👏

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  5. Bom se eu tivesse mais de um neurónio ia guardar muito bem na memória esta lição de biologia.
    Já tinha saudades suas, sabia?
    Abraço e saúde

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    1. eheheheheh, obrigado, é bom saber que alguém nos sente :)
      abraço, saúde e bom fim de semana

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  6. mas pode ser que te contratem para a Prozis...

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  7. Curiosamente, sempre achei a biologia muito poética e aqui confirma-se:)
    Ainda bem que não foi mais um a esfumar-se na via láctea da Blogosfera, já estava a imaginá-lo num planeta de nevoeiro e intensas chuvas...
    ~CC~

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    1. que feliz que eu era no nevoeiro e nas chuvas intensas, mas nunca esfumar-me, isso nã... mais ninguém me atura :)

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  8. Ah! 😍 Nada como umas bactérias para animar o panorama das letras.

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    1. eheheheheheheh, as bactérias fazem toda a diferença, lá isso é verdade :)

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