zaragatoa

 “oh que menina!” exclamou a enfermeira roliça com um sorriso que lhe subia aos olhos, escarnecendo das várias lágrimas que me escorriam pela cara. E foi assim que a semana começou, com o meu cérebro a ser invadido e fustigado por uma zaragatoa, nas mãos experientes de uma masoquista profissional. Ela ainda me disse mais qualquer coisa, mas eu já estava a correr pela porta, perseguindo a pouca dignidade que me sobejava. Isto foi na segunda-feira, depois os restantes dias mal me lembro deles, despejando horas em tarefas cada vez mais repetitivas e cansativas, adormecendo e acordando sempre exausto. É possível que tenha ficado traumatizado com a experiência. Só de pensar naquele cotonete que parecia não ter fim, a invadir-me os pensamentos de forma obscena... ainda me arrepia a espinha. E basicamente é isto, não tenho sonhos interessantes nem aventuras incríveis para relatar, apenas e só o dia a dia cada vez mais monótono e por enquanto, livre de covid. 




Comentários

  1. A esse velho preconceito de que a menina chora e é fraca não há zaragatoa que arranque da cabeça de certas pessoas.

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    1. fácil que era se pudéssemos arrancar preconceitos com zaragatoas :D

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  2. Ora ainda bem que nada de COVID, é que a sua ausência trouxe-me alguma preocupação. Folgo que esteja de saúde, os sonhos virão. E a horta?
    ~CC~

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    1. vaso ruim nã quebra :D
      peço desculpa pela ausência, é uma falta de consideração da minha parte, mas nã ter o que escrever deixa-me arreliado...
      esta altura do ano é muito trabalhosa na horta e as culturas têm de ser bem geridas, mas os frutos do trabalho compensam largamente :D

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  3. Eu dizia logo à enfermeira : "Ó sua insensível...isto são lágrimas involuntárias. Escarafuncha-me o nariz até aos neurónios, queria o quê?"
    Uma cabeçada no fole das migas é que essa precisava...

    Vem quando quiseres, Manel. Cá estaremos para te ouvir, mas vem.

    Beijinhos.

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    1. "fole das migas" :) muito bom! parece que é suposto que caia uma lágrima ou duas e há quem afirme que nã custa nada, mas o que senti foi como se me tivessem realmente raspado o cérebro :(
      beijocas, tentarei passar por cá mais amiúde

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  4. Muito bom que está livre do COVID.
    As aventuras incríveis e os sonhos lindos , estão ainda suspensos. Mais uns meses, toda a gente vacinada, elas e eles voltam.
    Abraço, saúde e boa semana

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    1. Assim o espero, que sejam só mais uns meses, que isto nem parece vida, mas sim uma história ou um sonho doido.
      Boa semana, muita saúde, abraço

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  5. Também vazei uma lágrima, como sabia que era comum, não me envergonhei muito, só um bocadinho.

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    1. se fosse só uma... no meu caso acho que nã exagero quando falo num manancial...

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  6. Que esteja livre de COVID são óptimas noticias e que a ausência não seja por maus motivos também.

    Não ter o que escrever já me parece que deriva de ter elevado muito a fasquia. O Manel consegue descrever com mestria até o que comeu ao jantar!

    Seja como for, muito bem-vindo!

    Venham daí esses ossos para um abraço!

    Sandra Martins

    PS - Sempre gostava de saber como foi a reacção dessa senhora quando fez o teste. Já que é tão forte.

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    1. obrigado, é sempre muito prazeroso ser bem recebido :)
      acredito que a senhora enfermeira nem uma lágrima verteu... ela tinha a complexão física de um muro, braços que pareciam cabos e a sensibilidade de uma pedra :D que mau que isto parece, mas foi assim que a vi

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  7. Realmente, essa cotonete, é de a pessoa ficar traumatizada.
    (Certo pais fazia esse teste noutro sitio que nao o nariz. Julgo que era pior. Mas venha la o diabo
    e escolha)
    Livra,
    A verdadeira anônima

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    1. sinceramente, depois de me terem escarafunchado o cérebro, nã sei o que será pior... mas também, prefiro nã saber, morro na ignorância se me deixarem... isto nunca mais acaba?

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