nomes

Tenho uma memória fraquinha para nomes e sequências de números. O vizinho da horta parecia esperar que o apresentasse à minha amiga, mas como não me lembrava do nome dele, não aconteceu. Agora sempre que me encontra pergunta pela “minha amiga” e se ela gosta de pepinos. O impressionante é que há mais pessoas a saberem o meu nome do que nomes que eu recordo, talvez numa proporção de dois para um. Exemplo disso é a funcionária da empresa de limpeza que de manhã me dá os bons dias e diz o meu nome com enorme satisfação, embora eu não tenha memorizado o dela. Sinto-me envergonhado por esta falha, mas acho mais grave pedir à pessoa que nos relembre o nome, principalmente quando já não é a primeira vez.

Dava-me muito jeito encontrar alguém que fosse barra neste tipo de memória e me auxiliasse sempre que necessário, aproximando-se do meu ouvido e sussurrando o nome da pessoa com quem nos vamos cruzar. Será que já inventaram uma “aplicação” para isto? Com os números o problema é semelhante, mas esses são mais inócuos e normalmente basta apontar. Entendo isto dos números como um mecanismo de poupança de memória, se não é importante, nem vou gastar células a memorizar, mas os nomes são cruciais para viver em sociedade,  manter bons relacionamentos e quanto mais me esforço, parece que mais facilmente os esqueço. Se calhar devia de apontar. É o que faço cada vez que começo a trabalhar num sítio novo, ando com um caderno pequeno no bolso e à frente do nome aponto alguma particularidade da pessoa e isso ajuda-me a memorizar, do tipo: Tomek – Barba de Rasputine, ou Silvia - Riso de golfinho.

Em compensação, sou muito bom a memorizar histórias. Às vezes até fico admirado com esta minha capacidade. Se calhar é muito vulgar e acontece com toda a gente, mas consigo lembrar-me de um episódio de uma série ou uma cena de um filme, mesmo uma passagem de um livro ou parte de um sonho, muito tempo depois de o ter visto, lido, sonhado. Curiosamente também me acontece com histórias ouvidas, algumas com mais de vinte anos. É bastante impressionante, pelo menos para mim que sempre considerei a minha memória como débil e pouco eficiente, e consigo depois reproduzir aquilo que ouvi, ou transcrever para texto com bastante precisão, com exceção dos malditos nomes, onde a minha memória volta a falhar. 




Comentários

  1. Eu também. Guardo episódios de filmes, séries, livros que posso descrever em pormenor sem conseguir lembrar o nome de autor, dos personagens ou da obra. Sou capaz de chegar ao fim de um livro sem me lembrar do nome dos personagens mas saber as suas características e acções com muito pormenor. Deve ser muito comum...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. então, mas se é comum, porquê que algumas pessoas ficam ofendidas quando lhes perguntamos o nome?

      Eliminar
  2. A minha memória ainda é pior. Nem de histórias... A tal aplicação é que dava mesmo jeito. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. achas que ainda vamos a tempo de patentear uma coisa desse género?

      Eliminar
  3. Fazer associações costuma ser um bom truque para a memória, associar o nome da pessoa uma situação, por exemplo. Eu tenho um problema diferente, se registo um nome trocado, nunca mais uso outro, mesmo que saiba que não correspondo. É assim com os alunos, os vizinhos, etc É como se para mim a pessoa só fizesse sentido com o nome que lhe inventei e não com aquele que realmente tem.
    ~CC~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. também me acontece isso de trocar, mas acho que o problema é das pessoas que nã tem cara de Miguel, ou de Isabel… devíamos poder renomear as pessoas… eu nã me importaria de ser renomeado, embora o meu nome seja fácil de memorizar… pelo menos para mim :)

      Eliminar
  4. Só para te dar uma ajuda: eu sou a Boop, não esse não é o meu verdadeiro nome mas isso também não interessa para nada. Tenho um blog. Venho aqui de vez em quando. Tenho uma horta onde os pimentos padron efectivamente cresceram (demais até!). Digo banalidades.
    Ah! Gosto do mau tempo - das tempestades em particular!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. é isso, já me estou a lembrar de ti… escusavas de atirar com essa dos pimentos à cara… os meus ainda só me deram trabalho…
      mais uma fã, qualquer dia nem sei como vou conseguir sair à rua :)

      Eliminar
    2. Basta mandares uma tempestade daquelas lindas, com raios e trovões, de vez em quando que fica tudo resolvido.

      Eliminar
  5. Eu raramente esqueço um nome, um lugar uma história , enfim tudo isso. Agora já não memorizo tanto os números, mas sei de cor nºs de telefone de toda a família, o nif, o nib e até a senha das finanças minhas e do marido. Em compensação não tenho memória visual. Conheço as pessoas hoje, posso falar com elas uma ou duas horas, se amanhã ou depois passarem por mim, não as reconheço. Sempre fui um desastre com a memória visual. De tal modo que já casada, quando o marido militar foi para África e me chamou três meses depois, fui desde Lisboa até à Beira a pensar como ia saber quem ele era se houvessem no aeroporto vários homens. Só aí quando ouvi chamar uma pessoa pelo altifalante relaxei, porque pensei "Bom se houver lá vários homens, vou ao balcão e peço para o chamar. " E a esta altura estou a vê-lo a rir e a pensar que sou doida, mas juro que isto é verdade. Devo dizer que o reconheci o marido logo que o vi no aeroporto de Lourenço Marques, mas o medo que me acompanhou durante mais de metade da viagem era o reflexo da minha incapacidade de memorizar rostos.
    Abraço, saúde e um feliz mês de Agosto

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ehehehehehe, nem imagino, mas acredito… naquele tempo nã havia a quantidade monstra de fotos que há hoje em dia. Agora vamos ao instagram ou Facebook e sabemos sempre como estão os nossos familiares e amigos, mesmo aqueles que já não vemos desde os cinco anos :)
      apercebi-me da minha deficiência depois de tentar lembrar o nome da minha sogra… nada! nã consigo lembrar-me.
      Boa semana, abraço e muita saúde

      Eliminar
  6. Eu sou uma lástima :)
    Histórias, passagens de filmes, livros ou de vida, eu conto tudo, mas esquece lá lembrar, datas, nomes de autores, produtores, nomes de personagens, ou de gente com quem prive pouco. Também a memória visual é uma desgraça mas, isso eu atribuo ao facto de ver mal. Para fixar rostos e pessoas eu preciso de, olhar por tempo demais, como sei que isso causa incómodo, olho de relance, e já se vê a triste figura que faço se me cruzo com esta ou aquela pessoa, pois... passo :)
    Até na música, coisa que tanto gosto, poucos são os nomes que consigo memorizar, títulos das canções idem, vou ao seu encontro, por uma frase que me ficou e a ajuda do youtube. Olha, já nem vejo a coisa como defeito, mas como feitio. Mas que tem alturas que é embaraçoso, é sim senhor.
    Beijinho, afilhado mailindo

    PS: Temos que ir à farmácia comprar fósforo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ai madrinha e com as máscaras ainda é pior… fui fazer análises e o teste serológico ao covid e as enfermeiras eram todas iguais, já nã sabia com quem tinha falado, o que me valeu foi que elas tiraram-me a pinta :D
      beijos, boa semana

      Eliminar
  7. Entrei, li e fugi...antes que fique ainda mais desmemoriada do que aquilo que já estou...

    Beijos soprados de longe, Manel.

    ( ouvi dizer que essa coisa é contagiosa )

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. se estiveres de máscara nã te pega :D
      beijocas, boas férias se é esse o motivo do afastamento

      Eliminar
  8. Boa tarde tudo bem? Sou brasileiro e procuro novos seguidores para o meu blog. E seguirei o seu com prazer. Novos amigos também são bem vindos, não importa a distância.

    https://viagenspelobrasilerio.blogspot.com/?m=1

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado Luiz, pela sugestão. Irei dar uma espreitadela.

      Eliminar
  9. Já sorri a ler este texto.

    Nunca estamos contentes com o que temos e somos não é verdade?

    Eu queixo-me do oposto. Tenho uma memória considerada "boa".

    Tão boa que, no trabalho, passei a dizer que não me lembro porque era considerada quase um computador: "oh Sandra, tu que tens boa memória, lembras-te...". Constantemente.

    E em casa igual. O senhor meu marido, á conta da má memória, está sempre encostadinho.

    E depois parece que não sobra espaço para o que quero: passagens de um livro, uma frase de um filme ou até algo que li num blogue. Leio ou oiço, toca-me muito mas não consigo reproduzir na íntegra,

    Aqui para nós, bem que gostava de ser um bocado mais "aluada". Esquecer o nome da sogra dava jeito, "by the way"...

    Boa semaninha "Mau-Tempo"!

    Um abraço do Algarve,

    Sandra Martins

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. esquecer algumas coisas, principalmente aquelas que nem é bom lembrar delas, é o melhor :) por isso concordo, lembrar tudo pode nã ser uma bênção, principalmente quando o mundo está cheio daqueles como eu e que abusam daqueles como tu :)
      boa semana Sandra

      Eliminar

Enviar um comentário