troglodita


poema para a ana

pego na pena e nã perco tempo,
num acto mais de fé que juízo.
vai ser canja, trigo limpo
Já tenho um verso, quantos mais preciso?


vou escrever mais um, ou dois
a mais não me habilito
carago, nada rima com dois, ou três
nem quatro. nã faço nada direito

porque terei dito que sim
quando nem sei o que digo
versejar nã é para mim
até na prosa sou um perigo

parece uma boneca russa
pandemia dentro de pandemia.
precisava de uma musa
e uma pastilha para a azia.

vou por ali no fundo les boréades
e uma figura bonita.
são tempos de adversidades
o título é só troglodita.

suspeito que nã vais gostar disto
lança-me enguias eléctricas e pirilampos
e sei lá que mais, talvez um feitiço
ou uma praga de sarampo.

mas perdoa este mau jeito
a intenção foi sempre boa.
termino por respeito
e prometo nã dizer sim à toa.








Comentários

  1. ahahahah, seja quem for a Ana, acho que vai adorar e rir muito, como eu ri.
    És o maior, afilhado mailindo

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    1. se calhar devia ter colocado lá o link... nã tenho jeito pra isto, melhor plantar couves

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  2. Podias ter feito melhor, sabias ter escrito um poema muito melhor, Manel...mas saíste-te bem com a música...:)
    Eu sei e todos sabemos que quiseste brincar.
    Vamos ver se a Ana acha o poema engraçado...
    Vais ver até já esqueceu que te fez o pedido. :))


    Tem uma boa noite.

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    1. O desejo de um poema
      Poderá alguém esquecer?
      Mas não pensei que o cigano
      Ainda o fosse escrever

      Atarefado que anda
      Entre mulheres e lavoura
      Conseguiu inspiração
      Escreveu quadras d’estoura

      ‘estoura’ dizem os miúdos
      De quem age sem pensar
      Mas as quadras que escreveu
      Vieram o dia alegrar

      :)

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    2. nã é a minha praia, está mais que visto...

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  3. Um poema te pedi
    E quadras me enviaste
    Cigano, deus do trovão
    Tu nunca me enganaste

    O céu pintaste de estrelas
    Pra minha noite enfeitar
    As conchas deixaste na areia
    Pra que eu pudesse brincar

    De mim criaste uma deusa
    Com sonhos me coloriste
    Mas não me reconheceste
    Quando humana me viste

    Não fossem as ovelhas ranhosas
    A quem resolves amar
    Que te poluem as noites
    E viverias a cantar

    Cigano de polvo ao pescoço
    Assim venho agradecer
    O riso desta manhã
    Quando vi o teu escrever

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    1. tu sim, tens talento! vou enfiar-me num buraco e esperar que chegue o inverno...

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    2. Se agora eu não estivesse
      Às voltas com as panelas
      Diria que sem ti a bloga
      Seria um céu sem estrelas

      A rima já corre foleira
      A quarentena subiu me à cabeça
      Preciso de arejar
      Não há ninguém que mereça

      Desculpa lá ó cigano
      Que isto pra mim é um vicio
      Começo a versejar
      E a alma num bulício...

      Talvez num vida distante
      Tenha sido trovadora
      Agora entre panelas e tachos
      Sonho ser lavradora

      Amordaça-me, amarra-me, ata-me
      Faz de tudo para me calar
      Porque até o meu pensamento
      Já pensa só a rimar...

      Cruzes....

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  4. É de uma musicalidade e profundidade ímpar...a Ana vai ficar certamente comovida =P

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  5. Isto por aqui está animado. Muito humor nos poemas. E se me permite, gostaria de dizer à Ana, que versejar é um vicio muito interessante.
    Abraço e boa semana

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    1. se nã fosse o contributo da Ana, isto era uma desgraça em três actos :)
      abraço, boa semana

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    2. Versejar é um vicio
      Concordo plenamente
      Agora só penso em rima
      Não me vem mais nada à mente
      :)

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    1. verdade, já me autoflagelei com um ramo de espinhos...

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  7. Uau!! Mas o que é isto? Está gente verseja como eu como bolachas. Brutal Ana, brutal cigano!

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    1. sou muito melhor a comer ou a entalar-me com bolachas... nem imaginas

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    2. Fazer bolachas com rima
      Isso sim gaja maria
      Poesia na cozinha
      A vida uma alegria
      :)

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  8. Ó faxabor, onde é que posso encontrar a lista de espera, para se ter direito a um poema? É para lá acrescentar o meu nome. Agradecida.

    Tens jeito para estas coisas,
    a destinatária ainda mais.
    :)

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    1. vou fazer uma lista para a lista e depois digo-te, ok?
      nã tenho jeito nenhum, nã digas isso que mentir é feio...

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    2. Eheheh. Que maneira elegante de fazer diversão.
      Concordo que mentir é feio. Discordo da tua suposta falta de jeito. E, quanto a isso, não há discussão possível. ;)

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  9. Então, Manel? Vais ficar eternamente troglodita?
    Anda lá... que parar é morrer, Ciganito.

    :)

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    1. Ah...se fizeres lista também me inscrevo para receber um poema teu.
      Pode ser só uma quadra...não sou exigente. :)

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    2. primeiro vou fazer uma lista para a lista :)
      estou mais morto que parado...

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  10. Bela fita, esta do troglodita. :)

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    1. shiuuu... se a ana nos escuta, levo já com uma truta!

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    2. Truta só de escabeche
      Tem juízo ó cigano
      Prometeste ser só meu
      Não me leves ao engano

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    3. só teu?
      nã haverá engano?
      andei a fumar salsa,
      ou é das nuvens de metano?

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