álamo

Por obra e graça de algum desígnio, quis a noite ser a mais fria e solitária desde que se lembrava. O homem parou diante da árvore com olhos e cumpriu o ritual de a saudar. A árvore, como era habitual, nem se mexeu. O homem recuou um passo e escolheu qual dos olhos da árvore enfrentar. Alguns eram um pouco ameaçadores, outros melancólicos ou doentes, mas aquele parecia o mais desperto, apesar da hora tardia e o frio congelar as palavras. Desculpe, disse o homem, dirigindo-se para o tronco da árvore, por acaso não me sabe dizer se isto tem um fim?

daqui

Comentários

  1. Já ouviste falar na árvore solitária do deserto do Sahara, Manel?

    Até ela, após viver só e isolada, durante mais de 300 anos, teve fim.

    Bom fim-de-semana, Ciganito.

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    1. ehehehehehehehehe, na verdade, nem sequer acredito no fim... tudo é uma continuidade, o que foi continua a ser e vai sempre ser :)
      beijos e bom fim-sem fim-de-semana

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  2. Respostas
    1. mas eu nã fui a lado nenhum... este na verdade nem sou eu :)

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  3. nada acaba, dizia o outro, não era?

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  4. Tudo se transforma, nem que seja em árvore sonolenta.

    Beijinho afilhado mailindo

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    1. às vezes penso que guardo as memórias daquilo que tudo um dia foi e que agora sou eu :)
      beijo, madrinha do coração

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