calçada

 O sol já tinha galgado o zénite e as galinhas reuniam-se no canteiro junto ao tanque. Nada cresce naquele canteiro desde que o escolheram para os seus banhos de terra pós almoço. Sentia-se no ar uma tranquilidade incómoda, uma presença sombria que surgiu sob a forma de uma silhueta compacta clara a pairar bem acima das nossas cabeças. Vicente, o galo, tropeçou a toda a brida para a segurança do galinheiro, deixando as suas protegidas de cabeças de lado, um olho apontado ao céu, congeladas como estátuas emplumadas. Todas as criaturas se suspendem em silêncio. Está perto, sente-se. Um grito corta o ar, parece que vem do galinheiro. Vicente terá dado para se engasgar num momento tão tenso, mas não é o galo. Entro no galinheiro e do outro lado no campo aberto os pardais levantam voo e o som que fazem mistura-se com os guinchos que parecem ser de um coelho. E ali está ela, a águia-calçada. É tudo muito rápido, ela também me vê e sem hesitação levanta voo levando o almoço. 

Comentários

  1. Tiveram sorte as galinhas, caso contrário, em vez de coelho à caçador, a águia predadora teria jantado galinha de fricassé.
    Esse teu galho sempre é muito ágil, mas também medroso, caraças!!
    Foi num ápice, mesmo derrapando nas curvas, abrigar-se, o medricas.
    : )
    Beijos, Manuel, cuidador de galináceos.
    Agora as tempestades já não te sabem bem, pois não! Ahahahah

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